Ursula Nogueira

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Bastidores agitados no Cruzeiro

A união tem que prevalecer a qualquer custo... Pelo bem do Cruzeiro

06/10/2017 às 06:25

Cristiane Mattos / Light Press / Cruzeiro

Sete dias foram suficientes para a torcida do Cruzeiro ir do céu ao inferno. Toda a euforia do pentacampeonato da Copa do Brasil foi deixada de lado, após as turbulências políticas no clube depois da eleição. 

Na última segunda-feira (2), o candidato da chapa União, Wagner Pires de Sá, foi eleito pelo conselho celeste para presidir o clube pelo próximo triênio. Wagner recebeu 235 votos e derrotou a chapa "Tríplice Coroa", que tinha como candidato o advogado Sérgio Santos Rodrigues, que recebeu 200 votos. 

A expectativa era de que a transição fosse tranquila, já que Wagner foi apoiado pelo atual presidente Gilvan de Pinho Tavares. Como no futebol não há verdade que dure 24 horas, na política do futebol, não seria diferente. Apenas dois dias após a eleição, o Cruzeiro já anunciou a saída do vice-presidente de futebol, Bruno Vicintin, e agora a notícia é que o Dr. Gilvan rompeu a parceria com Wagner. O gerente de futebol, Tinga, também anunciou a sua saída. E o próximo deve ser o diretor de futebol, Klauss Câmara. O futebol de base também pode sofrer mudanças: a tendência é que o superintendente Antônio Assunção anuncie o seu desligamento. 

A união precisa partir, inicialmente, da própria torcida celeste, que há muito tempo está polarizada. Atualmente, tudo tem dois lados na torcida. Isso não é sadio. Não é o momento de defender um candidato A porque o candidato B é apoiado pelo fulano. Ou apoiar o candidato B porque o candidato A vai empregar o sicrano. O momento não é de julgar os profissionais da imprensa, os acusando de tumultuar o ambiente. O momento é de defender o Cruzeiro e não um candidato. Quando a torcida se fechar e buscar o melhor para o clube, talvez a diretoria comece a agir de igual forma.

Ainda que toda essa situação pareça um caos, vejo com normalidade. Em qualquer clube, o presidente eleito escolhe alguns cargos de confiança. Para gerir uma empresa, seja ela um clube de futebol ou não, é preciso confiar em seus diretores. Um presidente da República indica seus ministros, um deputado tem seu chefe de gabinete, um presidente de clube também tem seus funcionários de confiança. A continuidade da gestão só aconteceria se o presidente Gilvan fosse reeleito! Novo presidente, nova diretoria.  É assim que a banda toca.

Itair Machado teve seus acertos e erros na gestão do Ipatinga. O Cruzeiro é um novo clube, um grande clube. Será que vai dar certo? O tempo vai dizer. Agora, o presidente precisa estar cercado de pessoas competentes e da sua confiança para fazer uma boa gestão e conquistar os títulos que prometeu ao torcedor.  É preciso que o novo homem forte do futebol do Cruzeiro tenha tempo para mostrar serviço. Com a decisão tomada, resta à nação celeste torcer para que a nova administração tenha sucesso dentro e fora do campo. 

O momento atual era para a torcida celebrar o título da Copa do Brasil e apoiar o time para melhorar ainda mais no Brasileirão. Mas, infelizmente, os bastidores do clube não dão paz para aqueles que realmente são o Cruzeiro. 

Que Wagner Pires faça boas escolhas! O torcedor quer ter motivos para continuar comemorando.

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